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As novas roupas do grande rejuvenescimento: uma encenação bilateral entre o Partido e os colonizados

As armas do governante apontam para dentro, não para fora — e os colonizados ainda não entenderam

Nas últimas décadas, o Partido Comunista passou a valorizar cada vez mais a Guerra Anti-Japonesa porque precisava trocar de pele ideológica: sair do “comunismo” e vestir o “Grande Rejuvenescimento da Nação Chinesa”. A narrativa anti-japonesa era o corante mais conveniente para essa pele nova.

O problema é que o próprio Partido sabe que quase não lutou contra o Japão, e os colonizados também sabem. Todos entendem isso, mas enquanto o salário cair na conta, continuam na peça. Quando o pagamento cessa, todo o “rejuvenescimento” perde utilidade.

O Partido Comunista foi, desde a origem, uma importação soviética. Sem a invasão japonesa ao continente, não teria tido chance de ascender. A frase de Mao agradecendo ao Japão não foi ironia, mas reconhecimento frio da condição histórica. Sem a guerra de invasão, não haveria a China comunista de hoje.

Depois do colapso soviético, a narrativa comunista perdeu força e o Partido precisou recorrer à “nação chinesa”. Mas o alicerce continuou sendo comunista; a chamada “nação chinesa” era apenas uma pele fabricada. Liang Qichao cunhou esse conceito como slogan de suporte vital para a corte Qing; sempre foi ferramenta de mobilização política, jamais identidade orgânica. Seu efeito limitado só aparecia quando se atrelava à Guerra Anti-Japonesa, que oferecia uma experiência comum. Em Tibete, Xinjiang e Mongólia, a narrativa jamais funcionou — não havia ali inimizade com o Japão.

Na Manchúria, a situação é mais complexa. A corte Qing se alinhou ao Japão, e as obras japonesas no nordeste não eram absurdas no contexto da época. As atuais condenações a Manchukuo existem apenas porque a narrativa da “nação chinesa” precisa absorver os manchus à força. Na realidade, foram os manchus e a dinastia Qing que colonizaram o continente, não o contrário. O discurso da “integração nacional” serve só para esconder essa relação colonial.

A retórica sobre “retomar Taiwan” também integra essa encenação. O Partido não ousa agir de fato; suas reservas militares não existem para unificar, e sim para proteger a elite dirigente em futuras crises internas. O slogan “rejuvenecer recuperando Taiwan” é apenas um instrumento para sugar recursos sociais rumo ao topo, mantendo as camadas média e baixa no limiar da sobrevivência, sem energia para organizar resistência. Taiwan não é o alvo; o objetivo real é consumir e neutralizar possíveis inimigos internos.

O Partido sustenta o poder empilhando uma mentira sobre outra. Quando o comunismo ruiu, vestiu a máscara da “nação chinesa”. Parece ter um lema unificador, mas, no fundo, é só uma cadeia de invenções.

O verdadeiro fundamento de sua força nunca foi a ideologia e sim o fluxo de caixa. Hoje ele ainda resiste não porque o “rejuvenescimento” tenha vigor, mas porque o capital injetado pelos Estados Unidos na Reforma e Abertura deixou inércia. É esse capital antigo que permite às pessoas continuar atuando na peça do governante.

Mas o fim desse teatro de mão dupla já se avista. O tal “Grande Rejuvenescimento” não passa de uma roupa nova. Todo mundo sabe disso e o desfecho pode ser visto a olho nu.

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