Além do tempo: a servidão copiada dos estudantes chineses no exterior
A ilusão dos beneficiários
Estudar fora deveria ter sido o ponto de partida da mudança. Quem viaja e enxerga outro mundo deveria voltar com ideias e possibilidades novas.
Mas, no contexto chinês, estudar no exterior virou sinônimo de servilismo. Há cem anos eram súditos do império Qing ou da república. Foram ao Japão, à Europa, aos Estados Unidos e regressaram com a roupa do “novo saber”, mas por dentro só buscavam cargos e fortuna. Quando chegou a Revolução Cultural, muitos foram varridos e morreram de modo ainda mais trágico. O slogan “estudar fora para salvar a pátria” acabou revelando-se uma autoilusão.
Hoje, esse grupo mudou o discurso, não a essência. No exterior interpretam “o futuro da China”, embora sejam apenas agentes de propaganda do regime. Dentro do país defendem privilégios; fora dele branqueiam o autoritarismo. Falam em “visão global”, mas no fundo resta apenas o reflexo de se curvar.
Cem anos passaram: o tempo mudou, a virtude não. O papel do estudante jamais pertenceu de fato aos “reformadores”; vez após vez escolheram ser o lubrificante que mantém a máquina. Deveriam trazer transformação, e em vez disso copiaram a si mesmos numa nova geração de servos.