Sem a União Soviética, não há China: O mito de uma pátria roubada
Nas narrativas chinesas, frequentemente se ouve a frase: "Rússia ocupou vastos territórios da China". Esta declaração parece justa, mas sua premissa é fundamentalmente falsa: a "República Popular da China" de hoje não tem continuidade histórica com o Império Qing ou a República da China, e seu nascimento dependeu completamente da União Soviética. Já que foi o estado soberano que criou o estado vassalo, não existe tal coisa como "território sendo ocupado".
I. A União Soviética como "construtor de nação"
A nova China de 1949 não foi o resultado de evolução natural, mas um produto estratégico da União Soviética.
Na década de 1920, o Escritório do Extremo Oriente do Partido Comunista Soviético enviou pessoal para Shanghai e Guangzhou para fomentar tanto os partidos Kuomintang quanto Comunista.
Os quadros, teoria, financiamento e treinamento militar do PCCh foram todos diretamente fornecidos por Moscou.
Sem o respaldo do Exército Vermelho Soviético e o apoio de inteligência soviética, o regime do PCCh nunca poderia ter sido estabelecido no continente.
Em outras palavras, sem a União Soviética, não haveria China. A chamada "República Popular" tem sua certidão de nascimento de Moscou, não de Beijing.
II. Lógica do vassalo: Sem direito de falar de "ocupação"
Se reconhecemos que a "República Popular da China" é um estado vassalo da União Soviética, então a Rússia não é um ocupante, mas o estado soberano.
A divisão do estado soberano da herança imperial não requer explicação ao estado vassalo.
As terras que a União Soviética cortou no Extremo Oriente eram essencialmente parte da herança imperial, sem relação com a "nova China" após 1949.
Um estado vassalo não pode falar de perda de soberania, porque sua própria existência é um presente do estado soberano.
Portanto, a narrativa de "Rússia ocupando território chinês" é insustentável. Assume uma "continuidade histórica" inexistente, vinculando forçosamente a Dinastia Qing, a República da China e o PCCh juntos.
III. A "nação chinesa" fabricada e a história de vítimas
Por que esta narrativa pode prevalecer?
Porque o PCCh deve fabricar uma "comunidade nacional chinesa", criando uma linha contínua desde a antiguidade até o presente, empacotando-se como o herdeiro de cinco mil anos de história.
Uma vez que reconhece que é meramente um novo produto fomentado pela União Soviética em 1949, perde o direito de falar sobre territórios "desde tempos antigos".
Assim usa a frase "Rússia ocupando território chinês" para moldar uma história de vítimas falsa, fazendo as pessoas acreditarem que são "vítimas históricas de longa data", desviando assim a atenção de questionar a verdadeira linhagem do regime.
IV. A sombra da guerra da Ucrânia
Esta lógica é particularmente evidente na atual guerra Rússia-Ucrânia.
A estrutura soberano-vassalo não desapareceu
A China em 1949 era um estado vassalo criado pela União Soviética.
Após o colapso da União Soviética, esta relação soberana não desapareceu verdadeiramente, mas continuou na forma da Rússia.
Na psicologia política do PCCh, a Rússia continua sendo o "pai" e a "fonte de legitimidade".
A derrota da Rússia significa que o vassalo perde suas raízes
Se a Rússia falhar na Ucrânia, significaria declarar o colapso completo do legado da União Soviética.
Para o PCCh, isso é inaceitável porque é em si mesmo uma extensão deste legado.
Uma vez que o estado soberano colapsa completamente, a legitimidade do estado vassalo será exposta.
Por que manter esta relação
O PCCh não pode reconhecer publicamente que é um produto colonial soviético, então só pode manter a posição de que "Rússia não deve falhar" através de ações.
Seja através do comércio de energia, ocasiões diplomáticas, ou "neutralidade sem condenação" na opinião pública internacional, tudo se trata de continuar esta relação de dependência.
V. Conclusão: Ilusão e realidade
A Rússia não ocupou o território da "República Popular da China", porque antes do colapso da União Soviética, a República Popular da China era em si mesma um estado vassalo da União Soviética. A chamada "perda territorial" não existe logicamente.
O fato real é: a China do PCCh é um produto colonial da União Soviética, herdando não o território da Dinastia Qing, mas a caridade soviética. Esta é a razão pela qual, quando a Rússia invade a Ucrânia, o PCCh não pode aceitar o fracasso da Rússia—porque significaria o colapso completo do estado soberano e a exposição de sua própria legitimidade.
Sem a União Soviética, não há China. Sem o estado soberano, a ilusão do estado vassalo não tem onde descansar.